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Um Dia

Tamy GhannamTamy Ghannam

  O livro inicia-se como muitos outros, prometendo um clichê grandioso: a recém-formada Emma Morley tem a chance de passar a noite com a pessoa por quem sempre esteve interessada, Dexter Mayhew, e a partir desse acontecimento a vida dos dois muda significativamente. A obra, porém, traz um realismo que foge muito da sua promessa inicial.

   Começando pelo título e a data presente desde o seu primeiro capítulo, fica fácil perceber que o dia 15 de julho é importante na trajetória dos dois protagonistas. Depois daquela noite em 1988, Emma e Dexter se tornam amigos, amigos, porém, que seguem rumos completamente diferentes. Enquanto Emma, que sonha em ser escritora, se vê experimentando o teatro, Dexter se diverte na China, em Amsterdã, Barcelona, Dublin, Veneza… enfim, realizando as viagens que desejava fazer pós-formatura. As coisas não mudam durante muito tempo: a vida da moça vai se afastando cada dia mais daquilo que planejava; a vida do rapaz é pura diversão, sem preocupações ou obrigações.
   Ele, mulherengo. Ela, insegura. O que nos faz esperar mais um romance bobo como milhares de outros, é justamente o que Nicholls explora para construir seus personagens de maneira magistral. Acompanhamos o amadurecimento de Emma, que passa por situações extremamente difíceis e precisa lidar com os sentimentos mais assombrosos: a solidão, a impotência e o fracasso. Seu crescimento é visto de perto por nós, e a forma como o autor o coloca nos aproxima da jovem, faz com que torçamos por sua felicidade. Também fazemos companhia a Dexter, o inconsequente e explorador adepto do carpe diem tão buscado por Emma.
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   Em meio a referências literárias ficcionais como O Apanhador no Campo de Centeio, Lolita e Oliver Twist, David Nicholls nos mostra a vida-não-ficção como ela é. Sim, nós apoiamos a paixão de Emma até determinado momento, quando, juntos com ela, perdemos a esperança, passamos a desconhecer o ex-amado Dexter. O que será que aconteceu para que ele mudasse tanto? E agora, qual vai ser o destino dela? Essas perguntas não são recorrentes em nosso dia-a-dia como seres humanos? Somente a experiência traz as respostas, e ao longo das 411 páginas, Nicholls explora o que a vida tem de melhor (ou pior): as reviravoltas. Às vezes, o tempo parece não passar e a sina aparenta ser aquela, como se as coisas não pudessem melhorar e tudo estivesse estabilizado. Mas as pequenas atitudes tomadas por cada um deles são capazes de penetrar aquela tranquilidade estática até então apresentada e de nos fazer pensar que talvez as surpresas não existam, e o destino seja apenas o resultado das escolhas de cada um. De fato, se há uma coisa de suma importância dentro desse livro são as escolhas. Cada uma delas, por menor que seja, tem força grande o suficiente para mudar vidas. Principalmente a dos leitores.
   Um Dia é um livro forte, surpreendente e real, tão real que torna complicado identificar qual de seus elementos é o responsável por nos fazer gostar tanto dele. A imaturidade às vezes inocente de Dexter, a resignação impotente de Emma, a junção dos dois ou o oposto disso? Essa é mais uma pergunta que somente a leitura do livro lhe proporcionará, mas fique atento: depois de conhecer esta história, o dia 15 de julho jamais será o mesmo para você.
“Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse
te dar só um presente
para o resto da sua vida seria este.
Confiança.
Seria o presente da Confiança.
Ou isso ou uma vela perfumada.”

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Tamy Ghannam

(contato@literatamy.com)

20 anos, São Paulo, Letras. Apaixonada por literatura, compartilhando experiências literárias através da internet.

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