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O Rocambole

Tamy GhannamTamy Ghannam

    Escrito pelo crítico literário e ex-professor Davi Arrigucci Jr. e ilustrado pelo artista plástico Paulo Pasta, O Rocambole é uma ótima aposta para quem gosta de leituras leves e inovadoras. No formato de livro de memórias, cujo narrador, apesar de personagem, pouco aparece, a obra apresenta um universo e insere o leitor dentro dele, como se já fôssemos íntimos das famílias retratadas, conhecêssemos bem as brincadeiras e travessuras dos garotos da cidade e sentíssemos o mesmo que os protagonistas.

    O Rocambole começa apresentando os personagens e seus dramas, narrando de maneira sucinta os costumes e a vida das duas famílias semelhantes e diferentes em muitos aspectos. De modo descontraído, a linguagem se molda de acordo com as situações, ora atingindo um grau recatado ao tratar da pobre solteirona, ora saindo dos trilhos quando pretende traduzir a volúpia que sente o rapaz apaixonado.  A primeira personagem com a qual temos contato é Mariana, a mulher de beleza desconcertante cujo noivo cometeu suicídio. A partir desse triste acontecimento, com a memória do falecido Lourenço insistindo em persegui-la, a moça é convidada a morar junto com sua sogra, e aceitando a proposta acaba por afetar a vida de todos os habitantes das duas casas vizinhas. De um lado, a família Heyst, restando dela no casarão apenas as duas irmãs: Dona Leontina (viúva e mãe de Lourenço) e Dona Helga (proibida de viver uma grande paixão), a responsável pelo tão importante rocambole. De outro, a família Pascali, habitando a casa baixa, fina e comprida ao pé do grande sobrado dos Heyst. Giuseppe, o pai, outrora marinheiro e por ora alfaiate, e Fiammetta, a mãe, deram à luz Nicolino Giuseppe Pascali, também conhecido como Spacca ou Paquinha, garoto apaixonado pela natureza e pelo quintal onde crescera brincando e observando, principalmente, os pássaros, por quem nutria um carinho especial.

o-rocambole

O livro gira em torno deles, e Arrigucci brinca com a linguagem de tal forma que consegue descrever elementos naturais com um toque de Guimarães Rosa e cenas íntimas com a ousadia de um moleque excitado, tornando O Rocambole uma obra que nos faz viajar pelo vai-e-vem de seus estilos linguísticos assim como os imigrantes retratados nela viajaram nas ondas ao virem de navio até nosso território brasileiro. As lindas ilustrações de Paulo Pasta merecem um destaque especial, pois servem de antítese ao clima desembaraçado do livro, apresentando toques sombrios e tons escuros.

    No todo, é um livro cheio das surpresas que encontramos em nosso cotidiano e capaz de envolver facilmente o leitor, que ao terminá-lo fica com a vontade de saber um pouco mais sobre os Heyst, os Pascali, e tantas outras famílias de imigrantes que compuseram e compõem o cenário do Brasil.

 

Ele também tinha mudado só de vê-la, sentia-se como a aguinha fresca, saltitante de alegria, à procura da máscara tão triste do chafariz.

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arrigucci

20 anos, São Paulo, Letras. Apaixonada por literatura, compartilhando experiências literárias através da internet.

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