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O Oitavo Selo

Tamy GhannamTamy Ghannam

    Aqueles que conhecem o trabalho do cineasta Ingmar Bergman reconhecem facilmente a alusão ao filme O Sétimo Selo no título do livro de Heloisa Seixas. Assim como na película sueca de 1956, é possível relacionar os selos de Heloisa aos construídos no livro apocalíptico bíblico, associação que nos permite supor certo caráter imperial da obra biográfico-romântica sobre Ruy Castro. Como companheira do escritor há mais de 20 anos, Heloisa Seixas possui propriedade para escrever a respeito da vida de Castro e o faz com louvor, aproximando o leitor com sua linguagem fácil mesclada a momentos tão difíceis pelos quais ambos passaram juntos.

heloisa
Fonte: http://www.annaramalho.com.br/news/rio-eu-te-amo/75807-enquanto-fatura-premios-e-indicacoes-heloisa-seixas-fala-do-seu-rio.html#prettyPhoto[pp_gal]/1/

  Em O Oitavo Selo mergulhamos em um universo cujos limites entre ficção e realidade são tênues. É, de certa forma, árduo aceitar que o jornalista tenha conseguido passar por tantas provações sem abandonar jamais o humor irônico e a paixão pela escrita. Sua trajetória é narrada desde a infância, quando logo cedo teve que lidar com a morte da irmã, e a partir daí sofrer com as mudanças que o triste fato trouxe à sua vida. O livro nos apresenta os primeiros contatos do escritor brasileiro com os encantos da literatura, da música e do cinema, assim como sua relação com os caminhos instáveis das drogas e os tortuosos das doenças.

   É interessante notar como a autora nos apresenta o nome de cada selo para depois explicitar o motivo de sua escolha. Sangue, nariz, fígado, língua, coração, sexo e cérebro, vistos como palavras soltas podem não representar muito, mas Heloisa as transforma em elementos essenciais na história de Ruy Castro. O último selo, porém, não consta no índice. É preciso ler para descobrir de que se trata e o quanto ele é importante.
    Ao caracterizar a obra como um “quase-romance”, a escritora deixa claro que não é preciso conhecer Ruy Castro ou seus trabalhos para entrar em contato com sua biografia romanceada; pelo contrário: ele surge como mais um personagem romanesco, cuja característica secundária (e não principal) é existir no mundo real. O fato de não conhecê-lo, portanto, não é empecilho algum à leitura. A partir de O Oitavo Selo, pode-se afirmar que Ruy Castro realmente brincou com a Morte várias vezes, mas contrariamente ao cavaleiro bergmaniano, ele permanece no jogo com movimentos bem sucedidos e aparenta continuar no tabuleiro por muito, muito tempo…

  Escrever. Escrever para não perder a sanidade, para não morrer. Afinal, não fora assim que acontecera com ela própria, desde o princípio? A mulher sabia. Quantas vezes já não confessara – um pouco constrangida, é verdade – que tinha começado a escrever por um ato de covardia, não de coragem? Pelo medo puro e simples de morrer se não o fizesse?

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20 anos, São Paulo, Letras. Apaixonada por literatura, compartilhando experiências literárias através da internet.

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