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DOIS LIVROS DE BRAD CROWLEY

Tamy GhannamTamy Ghannam

Inspirado em autores como Agatha Christie e Stieg Larsson, o paulistano Sergio de Macedo Soares escreve livros policiais sob o pseudônimo de Brad Crowley. Seja no cotidiano contemporâneo ou no passado mesopotâmico, nas narrativas de Crowley o mistério e a tensão se instauram com a mesma intensidade.

capa1A partir da banalidade de mais uma sexta-feira de comes, bebes e jogatina, os protagonistas de Quem dá as cartas? (2018, Editora Nova Literarte) constroem um interessante movimento de excepcional rivalidade que ultrapassa a mesa de jogo. O romance tem início pelo ponto de vista do anfitrião Gustavo, que, junto do namorado Ivan, uma vez por semana oferece sua casa para a visita do casal formado por Beatriz e Arthur. A união entre os dois pares segue semanalmente o mesmo roteiro: primeiro, são servidas as bebidas, logo em seguida o jantar e, então, têm início as partidas de pôquer. Por trás dessa aparente trivialidade monótona de todas as sextas-feiras, porém, instala-se algo invisível, mas sensível a todos os personagens. Essa ameaça furtiva é responsável por marcar a noite em que o relato se arquiteta.

O ponto alto do livro é seguramente o modo como ele é narrado, uma vez que cada capítulo tem como narrador três personagens (Gustavo, Beatriz e Arthur, respectivamente). A exploração dos focos narrativos certamente combina com a atmosfera de mistério característica das histórias policiais, além de contribuir significativamente com o clima apreensivo da novela. Esse recurso, tão bem casado com aquilo que o livro se propõe a oferecer, poderia ter sido ainda mais eficiente caso a percepção dos fatos acompanhasse a mudança de narrador. O que ocorre, no entanto, é que se alteram as vozes narrativas, mas elas basicamente partem de um mesmo ponto de vista.

De todo modo, a construção da novela de fato reflete a ideia do jogo de azar que direciona os personagens durante o enredo. Em Quem dá as cartas? reina o inesperado, e por isso é tão necessário pensar estrategicamente e sentir os riscos da história, como seria durante uma partida de pôquer. É fundamental estar atento ao jogo para levar o prêmio – assim como é preciso estar atento à narrativa para descobrir quem verdadeiramente dá as cartas no drama elaborado por Crowley.

capa2Se em Quem dá as cartas? se destacam as vozes narrativas, em Conspiração na Babilônia (2018, Editora Viseu) o diferencial recai sobre a ambientação do romance, que se passa na Mesopotâmia, durante o reinado de Nebucadnezar (ou Nabucodonosor). Ancorado sobre a superfície histórica da Babilônia de 565 a.C, o autor ergue uma narrativa misteriosa em um local até hoje bastante intrigante por si só. O que dá início à inquietação que perpassa o livro é a morte da maior autoridade do exército babilônico, o general Sargon, em meio a um jantar no palácio real.

A partir daí, diversas mortes e atentados passam a intimidar o Reino Babilônico, gerando a sensação de que uma conspiração pretende abalar o reinado de Nebucadnezar. O livro conta com imagens ilustrativas e epílogos que contextualizam a narrativa, além de apresentar uma vasta galeria de personagens (a maior parte deles inspirada em pessoas reais). Mais elaborado que a novela anteriormente mencionada, Conspiração na Babilônia é um mistério por excelência e atesta a inventividade cativante de um autor capaz de imaginar, no território do real, uma incógnita ficcional que condiz completamente com a postura esfíngica do Egito vizinho à Babilônia – e deveras importante para o desenrolar do romance.

Ainda que sejam duas obras bastante diferentes uma da outra, Quem dá as cartas? e Conspiração na Babilônia representam a característica fundamental para qualquer um que se disponha a escrever ficção: a vontade de contar histórias. Brad Crowley imagina, elabora e oferece relatos que buscam inquietar e envolver seus leitores, sem grandes malabarismos, mas com ampla ânsia de fabular. Um autor do qual ainda haverá muito o que ler.

Tamy Ghannam (contato@literatamy.com)

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Esse texto é um publieditorial, cujo conteúdo reproduz integralmente a opinião do
LiteraTamy.

22 anos, São Paulo, Letras. Apaixonada por literatura, compartilhando experiências literárias através da internet.

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